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Pilates no Espasmo Muscular

Pilates no Espasmo Muscular

Neste artigo vamos falar sobre o Pilates no espasmo muscular, fisiopatologias, trigger points (pontos gatilhos) e entender melhor essa patologia musculoesquelética.

A dor muscular é desencadeada pela ativação dos nociceptores periféricos que acionam fibras nervosas amielínicas finas do tipo III (equivalentes às fibras Aδ) e amielínicas do tipo IV (equivalentes às fibras C) do sistema nervoso periférico (SNP), que se projetam nos neurônios segmentares da substância cinzenta do corno posterior da medula espinal (CPME) que são acionados e sensibilizados e onde mecanismos modulatórios podem inibir ou facilitar a atividade das unidades nociceptivas.

O espasmo muscular pode ocorrer por vários motivos, vamos conhecer algumas delas!

SÍNDROME DOLOROSA MIOFASCIAL (SDM)

A SDM é uma afecção dolorosa do sistema locomotor que acomete os músculos esqueléticos. Caracteriza-se pela ocorrência de dor, presença de pontos gatilhos (PGs) nas bandas de tensão no músculo afetado.
Quando agulhados ou pressionados, os PGs reproduzem padrão de dor local ou dor referida. Dependendo do grau do estímulo, os PGs latentes podem tornar-se ativos.

A etiologia de SDM ainda é controversa: fadiga e isquemia muscular localizada, devido à contração estática sustentada, repetição de movimentos, posturas inadequadas e estresses emocionais, entre outros, parecem estar envolvidos na sua gênese. O espasmo muscular pode ser retroalimentado por estímulos nociceptivos somáticos e ou viscerais.

O mecanismo do espasmo muscular reflexo envolve a sensibilização dos neurônios sensitivos do CPME, a ativação dos interneurônios da substância cinzenta da medula espinal e a ativação dos motoneurônios do corno anterior da substância cinzenta da medula espinal; (reflexo somato-somático) a ativação dos neurônios da coluna intermédio-lateral da substância cinzenta da medula espinal, ocasiona reações neurovegetativas reflexas e, possivelmente está relacionada com a ocorrência de zonas reflexas.

O encurtamento dos segmentos musculares agrava as anormalidades observadas na região dos PGs, resultando entesopatias, e tendinites devida ao aumento da tensão exercida nos pontos de inserção muscular.

Pontos Gatilhos

Os mesmos fatores responsáveis para gerar os PGs ativos podem, em menor grau, causar os PGs latentes ou induzir os PGs ativos satélites em outros músculos. A inativação do PG pode também inativar os PGs satélites sem que estes sejam diretamente tratados.

A ativação dos PGs é geralmente associada à sobrecarga mecânica muscular que ocasiona tensionamento e encurtamento do músculo com PG latente e ou ativo ou, indiretamente, pela atividade de outros PGs pré-existentes, doenças viscerais, artropatias, endocrinopatias e estresses emocionais. Em geral, a intensidade e a área de dor referida depende do grau de irritabilidade dos PGs e não do volume do músculo.

Existe algumas teorias sobre os pontos gatilhos, vamos discorrer sobre alguns deles!!!

Teoria da crise energética

Há evidências de que a contração prolongada seja causada por disfunção na placa motora. O processo de contração parece ocorrer nas vizinhanças da placa motora. A liberação excessiva de ACh da placa motora desfuncionante e o comprometimento da função da colinesterase resulta no aumento da atividade da ACh e na ativação dos receptores pela ACh na membrana pós-juncional induzindo potenciais e miniatura na placa motora que mantém a despolarização parcial da membrana pós-juncional.

Teoria das anormalidades dos fusos musculares

A atividade nos PGs seria produto da disfunção dos fusos, o que justificaria a ausência de anormalidades musculares localizadas em quantidade suficiente para ser gerada na placa motora. Entretanto, observou-se que a distribuição dos PGs corresponde à atividade nas placas motoras, ao passo que os fusos são distribuídos ao longo da fibra muscular e não apenas concentrados na região da placa motora.

Teoria neuropática

Os PGs seriam decorrentes de neuropatias motoras. A compressão de nervos motores ativaria ou perpetuaria a disfunção dos PGs nas placas motoras.

 Teoria de tecido cicatricial

Os PGs representariam o tecido fibrótico. Entretanto, a rápida resolução dos músculos palpáveis com o tratamento dos PGs e os estudos histológicos contrariam essa hipótese.

Teoria da hipertonia-dor-hipertonia

Foi defendida no passado mas é desprovida de base, uma vez que a tensão muscular tende a inibir e não facilitar o arco reflexo do mesmo músculo.

DOR MUSCULAR DECORRENTE DE ATIVIDADES FÍSICAS

A dor que ocorre durante o exercício não parece ser exclusivamente relacionada ao acúmulo de radicais ácidos (ácido lático), uma vez que manifesta-se também em doentes que apresentam deficiência da miofosforilase.

A regulação da força muscular decorre do recrutamento ou ativação das unidades motoras. A unidade motora é a menor unidade funcional do músculo; compreende o nervo motor e as fibras musculares do músculo. A força do músculo é regulada pelo número de unidade motoras
ativadas, e pela modulação da freqüência dos potenciais das unidades motoras.

As lesões podem decorrer de um traumatismo ou lesão aguda ou de sobrecargas prolongadas. A força muscular depende do nível de ativação e do tipo de contração muscular, da contração estática ou dinâmica, concêntrica ou excêntrica.

As contrações excêntricas repetitivas, mesmo de intensidade baixa, podem reduzir a força muscular. Demonstrou-se que 20 minutos de contrações excêntricas, com carga de 15% da força de contração máxima voluntária realizadas com três segundos de intervalos, resulta em aumento da pressão intramuscular, edema muscular, aumento da fibra muscular, lesão da banda Z e aumento na concentração de enzimas musculares séricos. Normalmente, após a contração muscular, quando os músculos estão relaxados e em repouso, há restauração energética.

Tanto a energia necessária para contração muscular como para restauração de elementos energéticos ocorre concomitantemente no músculo durante a atividade física. Quando a demanda de energia excede o poder de regeneração, o balanço metabólico altera-se, resultando em comprometimento do desempenho.

A dor observada tardiamente à atividade física é particularmente observada após execução de contrações excêntricas. A contração excêntrica gera força mais intensa por fibra ativa e apresenta menor consumo metabólico por unidade de força que outras atividades musculares.

É possível que a dor tardia seja causada mais por fatores mecânicos que metabólitos no tecido conectivo que sustenta os músculos; é provável que seja devida a microlesões ou necroses de fibras musculares.

Mas e o Espasmo Muscular? vamos entender a diferença, pois temos espasmo, caibrã, contratura e muitas vezes são confundidas entre si

CÃIBRAS

São contrações involuntárias e intensas, extremamente dolorosas e prolongadas, associadas a sinais eletromiográficos similares aos da atividade voluntária. No mecanismo da dor da cãibra, parece participar a ativação de nociceptores mecânicos. Na ausência de ATP, podem ocorrer cãibras.

CONTRATURA

É um movimento involuntário com contração, eletricamente silenciosa do músculo associado à depleção da ATP. Ocorre em algumas afecções metabólicas (deficiência de miofosforilase) e após a morte.

ESPASMOS

São reflexos dolorosos ou não de contração dos músculos que circundam estruturas lesadas ou inflamadas. São causadas pelo deslizamento concêntrico das fibras musculares, das extremidades tendíneas em direção ao ventre muscular. Há desenvolvimento de tensão contínua sem relaxamento. A dor no espasmo muscular decorre da isquemia conseqüente à compressão vascular nos músculos tensos.

Não vou me estender a explicar todas as formas pois ficaríamos até amanhã e ainda temos dor por miotonia, distonia, dor por inflamação muscular, dor por isquemia, traumatismo musculares, tetania e pela famosa fadiga muscular.

O Pilates no Espasmo Muscular pode ajudar?

O método Pilates pode ser um grande aliado, sabe-se que o Pilates trabalha o alongamento dinâmico e exercícios resistidos, aliado ao fortalecimento de todos os grupos musculares principalmente a musculatura profunda, promovendo reequilíbrio muscular, diminuindo assim as compensações musculares e prevenindo lesões e principalmente diminuindo as recidivas de lesões.

Pensando dessa forma, já imaginou o benefício que seus atletas/alunos/pacientes terão de benefícios ao realizar o método Pilates? sabendo como funciona todo mecanismo do espasmo muscular, seria de bom proveito o método? pois bem, deixe seu comentário e vamos discutir quais os melhores exercícios de Pilates para o Espasmo Muscular, contraturas e outras lesões.

Bibliografia

1. Teixeira, M.J., Lin, T.Y., Kaziyama, H.H.S. Physiopatology of the muscleskeletal pain Rev. Med. (São Paulo), 80(ed. esp. pt.1):63-77, 2001.

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5. MaCkinnon, S.E., Novak, C.B. Clinical commentary: pathogenesis of cumulative trauma disorder. J. Hand Surg., 19A:873-83, 1994. Pilates no Espasmo Muscular

 

Artigo escrito por:

Camilo Barbosa Junior Crefito3 150302-F
Professor de Cursos de Pilates e Ortopedia – The Pilates Fisio Fitness, Fisioterapeuta Esportivo da HWT Sports, Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Reabilitação Aplicada ao Esporte (Unifesp), Especialista em Pilates, Pós-graduando em Formação Docente no Ensino Superior.

Contatos: Tel:11.96781-1979 (whats), contato@thepilatesfisiofitness.com.br/ blogpilates@thepilatesfisiofitness.com.br https://www.facebook.com/junior.fisio.39

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