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Pilates na Síndrome da Pedrada

Pilates na Síndrome da Pedrada

Os estiramentos musculares figuram entre as lesões mais comuns registradas nos membros inferiores no esporte e resultam em tempo de afastamento significativo dos treinamentos, alem de dor, limitação funcional e redução do rendimento esportivo, vamos ver onde empregar o Pilates na Síndrome da Pedrada.

O estiramento muscular e considerado uma lesão indireta caracterizada pelo alongamento das fibras alem dos limites normais (fisiológicos) e ocorre mais frequentemente nos músculos isquiotibiais e no tríceps sural (músculos da panturrilha). estes grupos musculares apresentam em comum as seguintes propriedades: são biarticulares (atravessam duas articulações) e tem um predomínio de fibras musculares do tipo II (fibras de contração rápida), que desenvolvem alta potência, mas entram em fadiga rapidamente.

Na panturrilha, os músculos gastrocnêmios medial e lateral, seguidos pelo sóleo são os mais envolvidos. estes músculos realizam movimentos combinados de flexão do tornozelo, contribuem para o movimento de flexão do joelho e realizam a frenagem da extensão do tornozelo durante a corrida (contração excêntrica). A localização anatômica mais comum dos estiramentos musculares e a transição músculo-tendão do gastrocnêmio medial.

A história clínica e marcada por dor súbita localizada na panturrilha, de grande intensidade, algumas vezes acompanhada de um estalido audível. O corredor leva um susto e acredita ter recebido uma pedrada na região da panturrilha, daí o nome de “síndrome da pedrada”.

No atletismo, os tiros de corrida figuram entre as situações esportivas em que esta lesão mais acontece. este fato pode ocorrer tanto durante a aceleração, quanto na desaceleração e geralmente ocorre durante as contrações musculares excêntricas, caracterizadas pelo alongamento gradativo das fibras musculares em decorrência do torque muscular ser de magnitude inferior à resistência imposta.

A tensão gerada durante a contração excêntrica e muito maior do que na contração concêntrica, o que predispõe o músculo ao aparecimento de lesões.

O exame físico revela inchaço localizado, tensão aumentada do tecido ao redor e presença de um defeito (área de depressão local) visível ou palpável. A presença de hematoma tem o significado de uma lesão de maior extensão e gravidade. A contração contra resistência revela dor local e impotência funcional. Lesões antigas e cicatrizadas podem gerar áreas de tensão muscular elevadas, com limitações de amplitude articular ou perda da flexibilidade local, quando comparadas ao membro contralateral.

Os estudos de microscopia mostram que a lesão causa um desarranjo na estrutura das fibras musculares, desencadeando um processo de morte celular (necrose), inflamação, reparo e fibrose. O processo inflamatório ocorre nos primeiros dias após a lesão, enquanto a regeneração muscular se inicia sete a dez dias após a lesão.

A cicatriz formada inicialmente e mais frágil e rígida do que o tecido não lesionado. embora a maioria das lesões por estiramento recidivem com mais frequência na primeira semana, há um risco significante de recidivas algumas semanas após a lesão. Algumas razões importantes são apontadas como responsáveis pelo fenômeno da recidiva na panturrilha.

A principal delas e a provável alteração da biomecânica normal. O tecido formado no local da lesão combina tecido fibroso, sem características contráteis e com tendências à rigidez, o que pode levar à limitação do arco de movimento. Por outro lado, fibras musculares regeneradas podem comprometer a função de contração do músculo, proporcionalmente à área afetada.

Outros fatores são considerados predisponentes aos estiramentos, embora ainda sejam pobremente amparados por evidências científicas na literatura. Tais fatores são: as deficiências de flexibilidade, os desequilíbrios de força entre músculos de ações opostas (agonistas e antagonistas), os distúrbios nutricionais, os distúrbios hormonais, as alterações anatômicas, as infecções e os fatores relacionados ao treinamento (incoordenação de movimentos, técnica incorreta, sobrecarga e fadiga muscular).

Os exames de diagnóstico por imagem (ultrassonografia e ressonância magnética) são modalidades úteis na avaliação, classificação das lesões musculares e previsão do tempo de recuperação.

em geral, o tratamento dos estiramentos musculares abrange:

  • Medicamentos sob prescrição: analgésicos, antiinflamatórios e miorrelaxantes;
  • Crioterapia na fase aguda: compressão do local da lesão com bolsas de gelo durante 20 a 30 minutos, com frequência de 3/3 horas, durante os dois primeiros dias;
  • Repouso do membro afetado com a utilização de órteses (tipóias, muletas, estabilizadores articulares);
  • Elevação do membro acometido para uma drenagem mais eficiente do edema ou hematoma;
  • Fisioterapia sob prescrição: analgesia (controle da dor), cinesioterapia (exercícios) e Pilates para reequilibrio, alongamento e controle neuromusculares;

O diagnóstico da Síndrome da Pedrada

O diagnóstico precoce, assim como a prescrição de tratamentos específicos são de suma importância na abordagem dos estiramentos musculares, já que apresentam uma alta incidência de recidivas. Tal fato caracteriza o estiramento muscular da panturrilha, umas das lesões mais frustrantes quanto ao tratamento para médicos, fisioterapeutas, treinadores e atletas.

Além da melhora da lesão e sintomas, o tratamento fisioterapêutico tem como objetivo o retorno à corrida sem riscos de recidivas (nova lesão).

Fase inicial de lesão Síndrome da Pedrada

O objetivo é minimizar a lesão tecidual com a utilização de ultra-som e gelo numa posição alongada do músculo da panturrilha, ou seja, com o tornozelo dobrado (dedos em direção à “canela”).

Fase intermediária da Síndrome da Pedrada

É indicada a utilização de ultra-som e laser para estimular a síntese de colágeno e cicatrização. Um alongamento suave dos músculos da panturrilha contribuirá para o realinhamento das fibras de colágeno (Aqui o Pilates é a melhor técnica a ser empregada) e deve ser seguido pela aplicação de gelo numa posição alongada do tendão.

Fase Final da Síndrome da Pedrada

Já a fase final do tratamento visa melhorar a cicatrização da lesão e fortalecer os músculos. Deve-se aplicar o gelo no final dos exercícios com objetivo de diminuir a dor e prevenir possíveis reações inflamatórias.

A aplicação de técnicas de massagem também auxiliará na melhora das aderências e contribuirá para a reorganização das fibras do tendão, além de ajudar no deslizamento da camada que o recobre.

O músculo da panturrilha ou tríceps sural é um músculo estático, ou seja, tem a função de sustentação, manutenção de postura e posição, além de auxiliar na flexão do joelho e fazer a flexão plantar (dedos para baixo, longe da “canela”). Por estes motivos e por sua própria fisiologia, tem tendência a se encurtar (mesmo em quem não pratica esportes!). Além disso, o encurtamento deste músculo estimula a pronação do retropé e predispõe a lesões e alterações na postura. Por isso é importante mantê-lo alongado.

Como é comum alterações posturais predispor a lesões, técnicas como a RPG (reeducação postural global) e o Pilates que visam alinhar o corpo e seus segmentos, podem auxiliar no tratamento ou evitar lesões, além de contribuir para a melhora da flexibilidade.

Tão importante quanto os alongamentos e fortalecimentos que irão reequilibrar a musculatura são os exercícios de propriocepção que levam informações ao cérebro e otimizam a função motora. Eles melhoram as reações da articulação quando há mudanças de direção, velocidade e terreno, favorecendo a biomecânica correta da corrida e evitando lesões. Eles devem ser orientados pelo fisioterapeuta, de forma gradual e introduzidos na fase correta do tratamento.

O retorno à corrida deve ser gradual, acompanhado dos exercícios para alongar e fortalecer os músculos da panturrilha, até que força, resistência, flexibilidade e amplitude de movimento estejam adequadas (quando comparados ao lado não lesionado). Dessa forma o tendão estará preparado para exercer sua função plenamente e receber as tensões transferidas a ele durante a corrida.

A prevenção é a melhor medida quando falamos em lesão tendínea. Apesar do tendão ser inelástico, ele se beneficia com o alongamento muscular pois ocorre diminuição das forças e tensões sobre ele. Portanto o Pilates na síndrome da pedrada é uma das técnicas mais efetivas no alongamento e deve ser realizado mesmo distante dos treinos (pode ser feito em casa) para manter a elasticidade do músculo e evitar lesões no tendão. Da mesma forma, é importante fazer um aquecimento adequado da musculatura para que esta esteja preparada para a corrida, além do desaquecimento.

Bibliografia

Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino – Pilates na Síndrome da Pedrada

The Pilates Fisio Fitness

Escrito por:

Camilo Barbosa Junior Crefito3 150302-F
Professor de Cursos de Pilates e Ortopedia – Pilates Fisio Fitness, Fisioterapeuta Esportivo da HWT Sports, Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Reabilitação Aplicada ao Esporte (Unifesp), Especialista em Pilates, Pós-graduando em Formação Docente no Ensino Superior.

Contatos pessoais: 11 967811979 (whatsapp), Instagram e Facebook

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