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Pilates na Pubalgia: Como Reabilitar

Pilates na Pubalgia: Como Reabilitar

Pilates na pubalgia pode ser um grande aliado, mas para o mesmo, é importante saber da fisiopatologia, biomecânica e tudo que envolve a lesão. Podemos dizer que o Pilates além do tratamento é um importante aliado na prevenção e mais para frente falaremos sobre isso.

Incidência de Pubalgia

O termo pubalgia ou osteíte púbica tem sido utilizado ao lado de diferentes termos na literatura: síndrome do grácil, osteopatia dinâmica do púbis, síndrome do adutor pélvico, dor inguinocrural do futebol. Foi descrita primeiramente em 1924 por Beer e sua relação com o esporte só foi feita em 1956 por Wiltse e Franz.

Ela é comum em esportes que requerem o apoio constante sobre uma perna e mudança rápida de direção. Calcula-se que 5% de todas as lesões no futebol ocorrem na região do púbis e virilha.

Segundo McMurtry e Avioli. A pubalgia é uma condição dolorosa da sínfise pubiana, com patogênese controvertida, embora se caracterize por um quadro clínico bem definido.

O quadro clínico pode iniciar-se de forma aguda ou crônica, com dor na região inguinopúbica, normalmente unilateral,
com possível irradiação para a parte medial da coxa até o joelho e também para os testículos. A palpação da sínfise púbica é dolorosa, assim como a dos tendões circunvizinhos, que podem apresentar diferenças de tensão entre os lados.

A instensidade da dor é aumentada pela contração resistida e estiramento dos músculos adutores e abdominais.

Em uma fase inicial, há ausência de sinais radiológicos. Com algumas semanas, já se pode notar uma rarefação óssea na junção púbica. Esses processos de rarefação se alternam com áreas onde a estrutura está preservada ou mais densa.

Uma deterioração rápida da sínfise pode ser vista se houver fratura subcondral. A radiografia nessa fase, com o paciente em apoio unipodal, pode mostrar a queda da sínfise púbica do lado oposto, indicando a fraqueza da fibrocartilagem e de sua fixação.

Quando a pubalgia se torna crônica, a radiografia demonstra sinais radiológicos de degeneração articular, com esclerose da superfície e osteofitose marginal.

Fatores Predisponentes da Lesão Pubálgica

Apesar de haver inconsistência na literatura frente ao que pode causar a pubalgia, alguns autores apresentam alguns fatores predisponentes dessa lesão.

Adutores

A lesão está diretamente ligada aos músculos adutores do quadril.  o uso excessivo no futebol por exemplo, associada a preparação inadequada causaria estresse repetitivo sobre a sínfise púbica, o que iniciaria o processo.

Segundo Batt, o encurtamento dessa musculatura causado pelo estiramento não tratado faria com que o jogador, tentando utilizar toda a amplitude de movimento, aumentasse o estresse e a força de cisalhamento sobre a junção miotendinosa, iniciando o processo de irritação mecânica, inflamação e reabsorção óssea.

Forças de cisalhamento criadas na sínfise púbica, pela contração antagônica simultânea de adutores e abdominais durante o movimento do chute. Estas forças se intensificariam com o desbalanceamento de força entre os abdutores do quadril x adutores e rotadores internos de quadril gerados pelo futebol.

Por ser uma região com pouca vascularização e consequentemente difícil tratamento, as forças de cisalhamento causam uma compressão na região e promove ainda menos aporte sanguíneo, causando a lesão.

Isquiotibiais

O encurtamento dos isquiotibiais é a causa primária do desenvolvimento da pubalgia no jogador de futebol, afirma Busquet.

No movimento do chute ideal, a perna de apoio permanece na maioria das vezes esticada, o reto femoral fixa o púbis em uma posição inferior enquanto o reto abdominal abaixa o ombro e caixa torácica do lado do apoio.

Para potencializar a ação do reto abdominal, o ombro homolateral ao chute se desloca para trás e para cima. Os oblíquos elevam o ilíaco do lado do chute.

Um encurtamento dos isquiotibiais traciona a tuberosidade isquiática, colocando o ilíaco em rotação posterior. Isto levaria à diminuição da lordose lombar.

A manutenção ou exacerbação da lordose lombar leva, como já foi descrito, à horizontalização do sacro e adução dos
ilíacos, o que aumenta a compressão do anel fibroso interarticular do púbis.

O reto abdominal passa a tracionar mais fortemente o púbis, tentando rodar posteriormente o ilíaco e assim conseguir
maior amplitude no chute. Esta tração excessiva passa a ser danosa ao púbis.

Sacroilíaca

Major et al, observaram em seu estudo a relação entre problemas na articulação sacroilíaca e púbis. Dos 11 atletas
estudados, quatro tinham problemas em ambas as articulações.

Segundo os autores, essas três articulações (púbis e duas sacroilíacas) interrompem a continuidade óssea do anel pélvico e, se uma das três se torna instável, forças de cisalhamento são criadas, o que transmite instabilidade e estresse a outras porções do anel. Assim, uma instabilidade da sacroilíaca pode resultar em um futuro problema no púbis e vice-versa.

Segundo Azevedo et al, a boa mobilidade da articulação sacroilíaca é de essencial importância na fisiologia normal do púbis. Constatou-se através de nosso trabalho diário junto a jogadores profissionais de futebol a grande incidência de bloqueios ou mobilidade reduzida do ilíaco contradominante, através dos testes de Gillet e Downing, descritos por Magee. Em sua grande maioria, o ilíaco contradominante dos jogadores se encontrava bloqueado em posição posterior.

O motivo desse bloqueio talvez seja a grande utilização de apoio unipodal no futebol caracterizado pelo chute. Nessa posição, o ilíaco da perna de apoio permanece em rotação posterior, como já foi descrito.

Teste de Gillet. – coloca-se os dedos polegares apoiados na espinha iliaca póstero-superior esquerda e direita, pede para o paciente/atleta flexionar uma das pernas, verifica a mobilidade. Teste positivo quando um dos lados ao realizar o movimento não se desloca, fato quê foi encontrado pelos autores quê descrevem o seguinte: Durante a flexão do quadril esquerdo, o polegar esquerdo do examinador apoiado na espinha ilíaca póstero-superior esquerda não abaixa, mostrando hipomobilidade do ilíaco à esquerda. Na flexão do quadril direito, o polegar direito do examinador abaixa, o que mostra mobilidade normal do ilíaco direito.

Reabilitação da Pubalgia – Pilates – Fisioterapia – Medicação

Normalmente o tratamento é conservador e envolve medicação não esteroides, aplicação de injeção de corticóides, muito repouso e fisioterapia com gelo, ultrassom, além de todo realinhamento biomecânico e reequilíbrios musculares.

Caso se diagnostique um ilíaco bloqueado, o restabelecimento de sua mobilidade pode ser feito através de técnicas de manipulação ou técnicas de mobilização.

A melhora da flexibilidade de todos os músculos envolvidos direta ou indiretamente com o púbis, ou seja: isquiotibiais, retofemoral, iliopsoas, adutores, rotadores externos de quadril, quadrado lombar, é de essencial importância para o sucesso do tratamento. Para quem conhece o Pilates, sabe que temos inúmeros exercícios que trabalham a flexibilidade desses músculos. Portanto sabe-se que o Pilates na pubalgia é eficaz, mas principalmente na prevenção.

Assim como a correção de possíveis desbalanceamentos de forças criados pelo futebol como na relação entre abdutores do quadril x adutores e rotadores internos de quadril (Mais uma vez o Pilates se enquadra como uma das melhores técnicas de reequilíbrio e diminuição de recidivas de lesões causadas por desiquilíbrios musculares.

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Bibliografia

Williams JGP, Ed FRCS. Limitation of the hip joint movement as a factor in traumatic osteitis pubis. Br J Sports Med 1978;12:129-33;

Taylor DC, Meyers WC, Moylan JA, Lohnes J, Basset FH, Garrett WE. Abdominal musculature abnormalities as a cause of groin pain in athletes. Am J Sports Med 1991;19:239-42;

Batt ME, McShane JM, Dillingham M. Osteitis pubis in collegiate football players. Med Sci Sports Exerc 1995;27:629-33;

Sing R, Cordes R, Silberski D. Osteitis pubis in the active patient. Physician and Sportsmedicine 1995;23:66-73;

Pearson RL. Osteitis pubis in a basketball player. Physician and Sports medicine 1988;16:69-72.

Busquet L. Les chaines musculaires. Tome III, 3ème ed. Paris: Editions Frisons Roche, 1998.

Azevedo DC,  Pires FO, Carneiro RL. pilates na pubalgia no jogador de futebol. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 5, Nº 6 – Nov/Dez, 1999.

Escrito por:

Camilo Barbosa Junior Crefito3 150302-F
Professor de Cursos de Pilates e Ortopedia – The Pilates Fisio Fitness, Fisioterapeuta Esportivo da HWT Sports, Especialista em Fisiologia do Exercício, Especialista em Reabilitação Aplicada ao Esporte (Unifesp), Especialista em Pilates, Pós-graduando em Formação Docente no Ensino Superior.

Contatos: Tel:11.96781-1979 (whats), contato@thepilatesfisiofitness.com.br/ blogpilates@thepilatesfisiofitness.com.br https://www.facebook.com/junior.fisio.39

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